O Parto Domiciliar

    O Parto Domiciliar

    Autor: Dr. Cássio Régis
    Anestesiologista.

    A gestante entra no parto para um final feliz, onde ela e seu marido sairão sorridentes com o seu bebê no colo e esse é o objetivo principal de qualquer serviço ou profissional de saúde, entretanto, para que isso aconteça, alguns cuidados são necessários.

    Por mais que a gestante tenha passado por um pré-natal sem risco, isso não quer dizer que estará livre de uma complicação ou situação inesperada durante o trabalho de parto e parto.

    Atualmente, parece existir uma confusão na definição de parto humanizado, algumas mães o interpreta como o direito ao parto domiciliar. É bom esclarecer que as mães podem sim exigir esse direito, porém muitas vezes, ao fazê-lo, colocam a própria vida e a vida de seu bebê em risco.

    Estes riscos são tão reais que fizeram o Conselho Federal de Medicina – CFM – e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO – a não recomendarem esse tipo de parto. Em países onde essa prática é liberada, algumas estruturas são exigidas para que o risco seja diminuído e se estabeleça uma condição aceitável, tais como:

    1. Ambulância à disposição, pois, ao ligar a sirene abre-se o caminho para chegar mais rápido ao hospital, fato este que não ocorre com o nosso carro comum.

    2. Evitar o parto domiciliar em apartamento, pois, geralmente o elevador não caberá uma maca e toda a equipe.

    3. Disponibilidade de material de emergência para a mãe e o recém-nascido no domicílio.

    4. Treinamento e experiência comprovada em emergências obstétricas, obrigatório inclusive para as doulas, fisioterapeutas e enfermeiras. Mesmo com todos estes cuidados, ainda podem ocorrer complicações irreversíveis.

    Humanizar o parto não significa fazê-lo em casa e sim torná-lo confortável para a mãe e o bebê. No parto humanizado, a mulher pode escolher, mesmo que no hospital, uma suíte apropriada, a posição que vai parir, a pessoa que vai participar, se terá uma doula, fisioterapeuta ou enfermeira, se quer ser alimentada, solicitar alívio da dor e se vai ser cortada ou não.

    Se ainda assim, você deseja exigir o seu direito de ter um parto domiciliar, exija também o seu direito a uma assistência adequada, ou seja, reserve uma ambulância, verifique se o elevador cabe a maca com a equipe, certifique-se dos comprovantes de experiência e treinamento em emergências de toda a equipe e que todo material de emergência esteja disponível no local do parto.

    Se tiver dúvidas ou não tiver toda a segurança acima, não arrisque a sua vida e muito menos a do seu filho. O parto não é um jogo de sorte ou azar, algumas vezes ele é um tipo de seleção natural onde mãe e filho podem morrer. Não submeta seu filho a um risco desnecessário, lembre-se que você dirige esse filme e todo o roteiro é de sua responsabilidade, você pode dar a ele um final feliz!

    Bom nascimento!

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