A História da Cesareana

A cesariana talvez seja uma das cirurgias mais antigas registradas na história. No início, era executada somente após a morte materna, com o intuito de dar uma oportunidade de vida ao bebê, de acordo com o código de lei romana vigente naquela época conhecido como “lex cesárea”. A primeira cesariana em mãe viva com sucesso foi realizada pelo suíço Jacob Nufer, em 1500. Não há relato de utilização de técnica anestésica no procedimento.

Durante 200 anos essa operação foi realizada cada vez com maior frequência, mas como a incisão (o corte) uterina não era posteriormente suturada, a incidência de morte materna era muito alta. Em 1882, passaram a suturar a parede uterina, e o índice de mortalidade materna caiu significativamente.

Atualmente, o número de cesariana está aumentando em todos os países. Até 1986, no Brasil, 32% dos partos foram neste método, enquanto que em Porto Rico foi de 29%, Estados Unidos com 23% e Canadá com 19% (dados da Notzon FC). Podemos afirmar que esses índices continuam aumentando, sobretudo em clínicas privadas, área em que alguns serviços já registram uma incidência acima de 80%.

Dados atuais mostram que nos serviços que atendem a previdência social a incidência de cesarianas gira em torno de 44%. Isto apesar das campanhas de entidades médicas e governamentais em defesa do parto normal.

Paralelamente ao aumento do número de cesarianas, observamos uma queda do risco materno-fetal. Por isso, muitos médicos consideram o parto cesariana mais seguro do que o parto normal. Entretanto, a diminuição do risco neonatal não pode ser creditada exclusivamente a um aumento da prática de cesarianas, mas também devem ser considerados outros fatores, como os avanços da neonatologia, melhor preparo do pessoal médico e paramédico, antibióticos de última geração e, sobretudo, carinho e zelo que os membros das UTI neonatal dedicam a estes pacientes.